Bricolagens do destino
Couraças mil camadas
Cada tom inescapável.
Bolhinhas saltitam
Beiçoladas castas
Sob véu gorgulha
Róseo caldo anis.
O mote do número
A rima bem branca
Castrada em cifras
Um ciclo de trégua.
Anteparo nostálgico
Lembranças refeitas
Casulos engrafados.
Distração
As piores perdas
São as que perdemos sem saber
Sem notar.
Ele vivia dileto
Vez ou outra por sorte ou azar
Via seu reflexo nalguma água
Parecia certo que ele mudava
Mudara das faces nos contornos
Mas ele não sabia ainda
Que o tempo existia.
Antes da palavra
Não havia o silêncio
Era a pedra eterna
Momento sem movimento.
As piores perdas
Eram quando dormia acordado
Não via a banda passar.
São as que perdemos sem saber
Sem notar.
Ele vivia dileto
Vez ou outra por sorte ou azar
Via seu reflexo nalguma água
Parecia certo que ele mudava
Mudara das faces nos contornos
Mas ele não sabia ainda
Que o tempo existia.
Antes da palavra
Não havia o silêncio
Era a pedra eterna
Momento sem movimento.
As piores perdas
Eram quando dormia acordado
Não via a banda passar.
Clique
Ainda está tudo em tuas mãos
O tempo que passou voltou
De todo pesadelo se acorda
Pro grande sonho que é a vida.
Há sempre todas tuas escolhas
E há sempre também uma melhor escolha
Família vem primeiro como se diz
As melhores coisas da vida são de graça.
Lembra-te deixar que as alegrias de cada dia
Engatinhem pra debaixo de tua pele
Deixa começar os novos começos
Que tudo há sempre de melhorar.
E irrompe teu pranto em permissão
Abraça forte e afaga cada mão
Que o triste e o doído não
Bem fazem firme a lição.
Gansarada
O vê de vitória é nossa formação
Coletivamente economizamos ação
O parceiro às costas ao vácuo lucra tração.
Os do fundo grasnam firmes incentivos
Os da frente intrépidos revezam altivos.
Na busca de mares ao sul
De verões sem fim
A balbúrdia de asas troveja
A migração do instinto à cor eterna.
Todo bicho é um além de si
E o bicho homem que será?
Que golpes pra psiquê se conquistar?
Ilhotas desertas são o repouso
Em meio às tempestades inglórias
Se um queda ou se morre
Dois atentos acompanham
Imensa família sem sobrenomes.
O gol é a potência sempre crescer
Cada nova geração mais gênia florescer
Mistérios fênix vez e outra a renascer.
Coletivamente economizamos ação
O parceiro às costas ao vácuo lucra tração.
Os do fundo grasnam firmes incentivos
Os da frente intrépidos revezam altivos.
Na busca de mares ao sul
De verões sem fim
A balbúrdia de asas troveja
A migração do instinto à cor eterna.
Todo bicho é um além de si
E o bicho homem que será?
Que golpes pra psiquê se conquistar?
Ilhotas desertas são o repouso
Em meio às tempestades inglórias
Se um queda ou se morre
Dois atentos acompanham
Imensa família sem sobrenomes.
O gol é a potência sempre crescer
Cada nova geração mais gênia florescer
Mistérios fênix vez e outra a renascer.
Plim
Certa feita disse-me a filosofia
Ama ao querer que te inspira a morrer
Cultiva a vontade não a deixa esmorecer.
Certa feita disse-me o profeta
Do futuro desgrenhado de fragmentos
Ama e te devota à visão mais límpida do sol
Põe abaixo a vingança e ergue o palácio da alegria.
A guerra não é mais entre ricos e pobres
O embate de classes é poeira de biblioteca
Hoje há um grande irmão que nos contempla
Sua maldição fraudulenta é oxigênio cifrado
Corporocracia mascarada duma vã tirania.
Suspenso em alienação criogênica
O relâmpago partiu-me em mil
Denovo e denovo até fazer-me em pó
E soprado em ode eólica fui varrido pro vazio
O desatino do esquecimento destituiu a prosa
Até que um Leônidas seletivo me convocou
Bradou não à misericórdia não à rendição.
Certa feita algo em mim quis morrer pela virtude
Como dádiva inequívoca à terra que me pariu
Vis retribuições pelo sangue que me corre.
Certa feita aprendi e desaprendi a superação
Afogado na moléstia corrupta do cotidiano
Perdi-me da sina violenta de guerrilheiro
Por força de paz romance brio e atino.
Até que o destino colheu um botão branco
Regado do plasma e da própolis da loucura
Floresceu confidente o desejo ardente
Decisão irretocável de batalha pungente
Quis novamente crer nalgo por que cair.
Vesti uma armadura flúor em sétima dimensão
Armei-me ao dentes de saber e conspiração
A guerra corria silente e poucos reconheciam-na
Mas o coração derradeiro atirou-se ao precipício
Acreditou outra vez que o melhor a se viver
É a causa impétua pela qual valha morrer.
Indefectos
Pra meio entendedor
Boa palavra basta.
O necessário é o ânimo
Positividade no hálito que expira
Cobro resenhas de sentimentos duradouros.
Refresco-me ao látego
Carrasco de fadas apetecidas
Sou o compromisso com o mundo
Enamorado profano e totalitarista ingênuo.
Por vezes odeio-me
Como o tirano odeia o medo da derrota
Como a musa odeia a petulância pestilenta.
Mas no mais tenho fé
A esperança de olhos verdes como o mar
Confiança de que a vida dum ou doutro modo nos redima
Certeza de que cedo ou tarde toda renúncia honrosa é paga em dobro.
Boa palavra basta.
O necessário é o ânimo
Positividade no hálito que expira
Cobro resenhas de sentimentos duradouros.
Refresco-me ao látego
Carrasco de fadas apetecidas
Sou o compromisso com o mundo
Enamorado profano e totalitarista ingênuo.
Por vezes odeio-me
Como o tirano odeia o medo da derrota
Como a musa odeia a petulância pestilenta.
Mas no mais tenho fé
A esperança de olhos verdes como o mar
Confiança de que a vida dum ou doutro modo nos redima
Certeza de que cedo ou tarde toda renúncia honrosa é paga em dobro.
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